Ælita e a originalidade de Mando Diao

Mando Diao sempre foi uma banda original, para dizer o mínimo. Depois de começar com três álbuns mais tradicionais e puxados para o britrock (apesar de os caras serem suecos) e para o garage rock, fizeram o quarto disco “Never Seen the Light of Day” com elementos de folk e country. Em seguida, veio “Give me Fire” – álbum que tem “Dance with Somebody”, provavelmente a mais famosa faixa deles no Brasil -, que estava mais para pop anos 80. E no próximo, resolveram inventar de vez e soltar um disco em sueco. Enfim, um belo leque de variedades para uma banda nova, que surgiu depois dos anos 2000. Em seu sétimo disco, “Aelita”, as inovações não pararam. Seja isso algo bom ou ruim.

“Aelita” começa chamando atenção com a arte de sua capa. Um visual trash, cheio de cores, lembrando aqueles programas de TV de esquisitices japonesas, uns gráficos que parecem ter sido feito por alguma criança de 8 anos brincando com as proteções de tela do Windows 95, os dois principais integrantes da banda sem roupas fazendo umas caras quem está se dando bem (se é que vocês me entendem) e um peitinho ali no canto superior direito (woohoo!). Para simplificar a descrição, uma coisa quase dadaísta.

Já as músicas lembram o rock eletrônico de New Order na época do lançamento de “Technique” ou o Depeche Mode, em “Playing the Angel”. Isto é, um rock eletrônico, um tanto melancólico, mas ainda dançante. Alguns poderiam descrevê-lo como Synthpop. Por sinal, o nome do disco vem de um sintetizador russo que os caras encontraram em uma loja de antiguidades na Suécia e resolveram utilizar nas gravações. E eu pensando que só Jack White ou o Pink Floyd é que fariam esse tipo de coisa…

Faixas de destaque ficam com “Sweet Wet Dreams” com uma mistura bastante bacana de rock, eletrônico e violinos; “Money Doesn’t Make You a Man” onde o uso de sintetizadores fica mais evidente e que carrega referência ao seriado cult Twin Peaks; e “Black Saturday”, o primeiro single e música de abertura do disco. Também agradam a baladinha “Lonely Driver” e “If I Don’t Have You”.

No fim das contas, acaba sendo um bom disco. Na minha opinião, com músicas de qualidade superiores às de “Give me Fire” e “Never Seen the Light of the Day”. Contudo, o ponto forte do Mando Diao foi com o estilo impresso nos três primeiros discos que, apesar de menos original, são os que tem os maiores clássicos da banda. Para mim, é um tanto deprimente pensar que as chances de ouvir uma nova “Long Before Rock’n’roll” sejam tão remotas.

 

Erick Yoshida

 

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