Catfish and the Bottlemen, uma tradicional Shepherd’s Pie

De tempos em tempos, quando uma banda britânica cruza a fronteira de “indie com potencial” para “sucesso comercial”, começa-se a procura por um substituto. É algo tradicional entre a mídia que acompanha a música indie. Assim, desde que o Arctic Monkeys estourou por completo com o excelente AM, lançou-se a temporada de caça por seus herdeiros e, apesar de ainda dizer que nada concreto tenha aparecido por enquanto, olhares já prestam atenção em uma banda galesa: Catfish & the Bottlemen.

Catfish and The Bottlemen

A receita é quase tão antiga quanto uma de torta Shepherd de uma vovó britânica: Uns moleques na faixa dos 20 anos, umas guitarras, letras sobre garotas, “the F word” aqui e ali, refrões grudentos e there you go. Uma banda indie pronta para estourar em alguns anos.

Confesso que bandas com nome no padrão “alguma coisa” + “&” + “outra coisa no plural” me fazem olhar meio torto, parecem coisa de algum frontman meio egocêntrico. E foi essa a sensação que tive com Catfish and the Bottlemen. Mas depois de assistir Cocoon – uma bela música com um belo videoclipe, que disponibilizamos no final do texto – comecei a simpatizar. As influências aparentes são as bandas de mesmo estilo da geração imediatamente anterior: the Strokes, the Kooks, Jet e os já mencionados Arctic Monkeys. Ainda chutaria algo de Manic Street Preachers aí no meio, mas só porque também são galeses.

As músicas variam entre baladinhas mais acústicas, como Hourglass (cujo vídeo conta com Ewan McGregor) a outras pauladas sem economia de guitarras, como Pacifier. Essa amplitude de estilo, sem perder a qualidade, que me fez lembrar da australiana Jet no primeiro disco. No total, são seis singles do primeiro disco Balcony: Rango, Kathleen, Fallout e os outros três já mencionados. Vale a pena conferir cada um.

A mídia inglesa ainda parece não ter se decidido sobre como avaliar os garotos. Balcony recebeu avaliações negativas, em geral, de críticos que reclamaram de pouca originalidade e “mais do mesmo”. Entretanto, outros se renderam e já os colocam como uma das bandas mais promissoras dos últimos tempos. Em minha opinião: ainda não colocaria a mão no fogo apostando no sucesso deles, mas sou dos que pensa que algumas receitas tradicionais não precisam ser alteradas. Shepherd’s pies são boas do jeito que são. Atenção nos meninos!

P.S.: Bonus point para a banda: a versão ao vivo de Cocoon tem referência a Dancing in the Dark de Bruce Springsteen. Incrível! Afinal, não é de se esperar que uma banda indie, de uns caras com menos de 30, faça referência ao boss Bruce.

 

Erick Yoshida

 

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